Os Sonetos a Orfeu - Elegias de Duíno de Rilke

Rainer Maria Rilke, poeta da língua alemã, nasceu em Praga (atual República Tcheca) em 1875 e faleceu na Suíça em 1926, aos 51 anos.

É conhecido também como o místico de Praga. Sua obra tem um forte teor espiritual e místico que influenciou outras pessoas nessa busca, como, por exemplo, a jovem judia holandesa Etty Hillesum.


Lou Andreas-Salomé.

             Teve um casamento conturbado, que durou apenas um ano, e várias amantes, que o sustentaram a vida toda. A mulher que mais o influenciou foi a intelectual Lou Andreas-Salomé.  Eles mantiveram um relacionamento amoroso por décadas.

Lou era 14 anos mais velha do que Rilke e sua capacidade intelectual e liberdade chocavam a sociedade da época. É difícil falar de Rilke, sem falar de Lou. Pois ela também escreveu muitos livros e era uma intelectual de incomparável grandeza.

Acabo de ler Os Sonetos a Orfeu e Elegias de Duíno de Rilke. É uma edição bilíngue, alemão-português. A tradução é de Karlos Rischbieter e Paulo Gafunkel. O primeiro livro foi traduzido inteiramente por Rischbieter e prezou pela fidelidade ao  texto original. O segundo livro foi traduzido por ambos e buscou mais a musicalidade da tradução.




Rilke considerava Os Sonetos a Orfeu sua melhor obra. Ele o escreveu todo em um surto de inspiração.  Orfeu é um deus grego associado à música e ao lirismo, com uma trágica história de amor. Sonetos são poemas de 12 versos, as duas primeiras estrofes têm quatro versos e as duas últimas três versos.

Elegias de Duíno foi uma das últimas obras do autor. Aparentemente Duíno é o castelo (de uma de suas amantes), onde o livro foi escrito. Elegia significa poesia triste, melancólica ou complacente.

Para finalizar, deixo um dos sonetos (II.29):

Amigo distante e solitário,
sente que teu alento aumenta o espaço
e vibra nas vigas negras do campanário.
Aquele que se sustenta em teu regaço.

se fortalece com este alimento.
Faz da transformação o teu caminho.
Qual é o teu maior sofrimento?
Se o vinho te amarga a boca, torna-te vinho.

Sê, nesta noite sem medida,
a magia da encruzilhada dos sentidos,
que teu sexto sentido encontrou,

Se a terra toda te olvida,
diz a ela, quieto: sou fluido.
E fala a correnteza: eu sou.

Boas leituras!

Boa semana a todos!

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