Orlando

 Nunca tinha ouvido falar na obra de Virginia Woolf até o ano passado, quando comprei o filme "Orlando" da coleção "clássicos que viraram filme", ou qualquer coisa assim. Assisti ao filme e adorei a história! 

 Tive que solicitar o livro pelo Skoob. E fui lê-lo agora. A impressão que eu tive foi de que: 1) Não entendi o filme; 2) Não entendi o livro; 3) O filme não é baseado no livro.

 A história é do lindo jovem Orlando, que em 1500's torna-se amante da rainha. E esse jovem vive eternamente ou envelhece muito devagar.  Ele mergulha em muitas aventuras e na metade do livro, ele se transforma em mulher. E assim ele continua até os dias atuais. 

 Eu não sou especialista em cultura inglesa, então quando eu assisti ao filme, eu tive a impressão que o Orlando homem era um sujeito louco que fazia coisas sem sentido. Lendo o livro, eu entendi os sentimentos do Orlando e a cultura em que ele estava inserido em cada situação. Fez muito mais sentido! Por exemplo, tem uma hora no filme em que Orlando está vivendo com ciganos na Turquia, ele olha para uma montanha e diz: "Isso é bom para comer!".  Essa cena não fez o menor sentido para mim no filme. No livro a autora explica que não existia uma expressão entre os ciganos para dizer : "Isso é muito bonito!" e que Orlando amava a Natureza e sentia nostalgia das paisagens inglesas. Faz perfeito sentido no livro.

 A edição que eu li é de 1978, tradução da poetisa Cecília Meireles. Gostei bastante. Impecável. 

 Vou deixar uns trechos que eu gostei. Por exemplo quando os ciganos não partilham dos valores de Orlando:

Nenhuma paixão é mais forte, no peito humano, que o desejo de impor aos demais as próprias crenças. Nada também corta tão pela raiz nossa felicidade e nos encoleriza tanto como sabermos que outros menosprezam o que exaltamos.

Sobre a sexualidade:



Embora diferentes, os sexos se confundem. Em cada ser humano ocorre uma vacilação entre um sexo e outro; e às vezes só as roupas conservam a aparência masculina ou feminina, quando, interiormente, o sexto está em completa oposição com o que se encontra a vista. Cada um sabe por experiência as confusões e complicações que disso resultam; mas deixemos aqui o problema geral, e observemos somente o seu singular efeito no caso particular de Orlando.


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