Inocência

Inocência com certeza é o livro mais conhecido do Visconde de Taunay. Ele foi publicado em 1872 e com certeza tem mais de 20 edições. Eu coloquei a capa da edição da Martin Claret porque acho que é a mais recente. 

 Eu tinha uma prima que morava perto de Miranda no Mato Grosso do Sul, o que me fez ler esse livro foi o fato dele se passar perto de onde a minha prima morava. E porque ele estava à venda na loja de 1,99. Eu devorei o livro! Li em uma noite. Mais de 10 anos depois, eu resolvi relê-lo e fiquei mais emocionada com a história. 

 Além de ser um romance regionalista, que mostra uma região do Brasil que poucas pessoas tiveram o privilégio de conhecer o livro constrói personagens simplesmente incríveis. Inocência é uma moça sertaneja, que seu pai, Pereira, prometeu em casamento a um comerciante de gado, o Manecão. Enquanto o Manecão está viajando, três forasteiros se hospedam na fazenda do Pereira: Meyer, um naturalista alemão que está fazendo pesquisas no Brasil com seu assistente e Cirino, um farmacêutico que faz as vezes de médico no Sertão. O fazendeiro Pereira é um homem antigo e patriarcal, que não permite que Inocência aprenda a ler, ou que saia do quarto, a não ser em presença de alguém da família.

 Mas a sua filha Inocência está muito doente, justamente quando o farmacêutico Cirino está em sua fazenda. Pereira se vê forçado a deixar Cirino examinar sua filha Inocência, mas sempre em sua presença, é claro. Os jovens se apaixonam. Pereira está morrendo que o alemão Meyer se engrace com sua filha. E para quem ele pede ajuda? Para Cirino. As brigas e suspeitas entre Pereira e Meyer são simplesmente hilárias. Meyer, para mim, é um dos personagens mais bem construídos da Literatura Brasileira.

 Rolam várias aventuras no amor proibido de Inocência e Cirino, que prendem muito o leitor à história. Mas eu não quero dar spoiler. Só quero dizer, que para época, esse livro devia ser praticamente feminista. Pois para mim, ele é uma crítica à repressão das mulheres e ao patriarcado.

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